Juntei todos os meus pedaços que se encontravam esparramados pelos cantos da casa e principalmente no meu quarto, as 8h20 estava na rodoviária embarcando para tentar uma no vida. Da janela do ônibus podia ver a vida passando como se fosse um filme, cada paisagem me remetia a um evento da minha própria vida. De paisagem em paisagem pode refletir muitas coisas. Geralmente quando se vai embora de um lugar que foi o palco de dores profundas, as pessoas logo dizem que não importa a geografia, que tudo aquilo que nos atormenta sempre estará conosco. Pois não foi isso que senti, uma vez que não estou fugindo de nada,aliás nunca fugi, considero-me uma pessoa corajosa, não tanto quanto quero ser, mas sou acima da média.
Senti sim o meu objetivo que tracei durante esses dias. Trabalho,ares novos, pessoas diferentes, só estas três coisas já irão dar conta de muito do meu tempo. Sou uma outra pessoa hoje, depois do desaparecimento do meu filho e depois do amor que se tornou impossível, que até agora não entendi o porque. Numa energia bem diferente, poderei me redescobrir, quem eu sou hoje, depois de tudo isso. Quero poder olhar no espelho e saber pra quem eu olho, o cabelo de quem penteio, de quem é a barba que faço, o rosto que lavo. Quero olhar nos meus olhos refletidos ali e saber quem me tornei.
O céu daqui tem um azul tão intenso quanto o de Ribeirão, o calor parece ser mais forte, mesmo as noites, dizem não ser tão frias. Tenho um novo palco para escrever sobre a pessoa que me tornei e que continuará em mutação. Não busco entender o Guilherme, tão pouco este amor que muito me dói, mas sim busco entender quem é o Osmar.
Quando entender quem é Osmar, como num passe de mágica, o mundo e as pessoas se desvendarão diante de seus olhos. É preciso morrer para renascer. Esse é o seu processo neste momento... Estou assistindo e adorando! Beijos
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