terça-feira, 22 de junho de 2010

FRUSTRAÇÃO



São 3h11, acabo de chegar da rua muito frustrado. Sabe filho hoje posso dizer que já conheço o umbral, estive em lugares que nunca imaginei conhecer um dia. Apesar de tudo foi uma grande experiência pra mim, pois conheci muitas pessoas que vivem nas ruas. Meu Deus, a grande maioria de nós não imagina os tesouros perdidos por, conheci muitas histórias de vidas. Como é triste saber que as pessoas por razões infames deixaram seus lares para devagar no limbo, porém eu consigo entender que um pequeno problema para um é imenso para o outro, por isso que não podemos nos esquecer da nossa condição de seres humanos e olhar para os lados, pra frente e para trás. Apesar de todo o meu sofrimento em virtude do seu desaparecimento, pude perceber que os meus problemas são quase que inexistentes quando comparados aos de algumas pessoas que conheci esta noite. No início da noite queria que você estivesse me vendo la na praça da Catedral quando estava fazendo a minha ronda por lá. Avistei um grupo de jovens que são moradores de rua conversando, ´me direcionei a eles mostrei sua foto e começamos a conversar, um deles chamado Ronaldo, pediu para eu me sentar com ele em um dos bancos, pois ele queria conversar comigo. Foi um papo gostoso e emocionante, ele se abriu comigo, me contou do seu envolvimento com drogas, sobre uma tratamento que fez durante nove meses em uma instituição, a retomada da sua vida conseguindo um trabalho, disse que até um carro velhinho ele conseguiu comprar. Mas quis o destino que ele se apaixona-se por uma Adriana cujo nome está tatuado no braço dele e esta o deixou. Mediante a frustração amorosa ele caiu na bebida e hoje mora nas ruas. Ele me disse que a ama muito, então eu conversei bastante com ele, o aconselhei e ele caiu em prantos e depois disse que vai pensar muito nas minhas palavras e pediu para que eu voltasse lá para visitá-lo. Conheci, também, o Rodrigo que faz um belo trabalho com os moradores de rua, oferece sopa todas as noites a partir das 19h. Eles formam fila e o Rodrigo os recebe na porta comprimentando-os com um aperto de mão, um por vez e dando. Tudo isso fez com que eu me sentisse pequeno, perguntei-me por diversas vezes o que eu poderia estar fazendo para ajudar as pessoas. Será que foi necessário que isto acontecesse com você para que eu abrisse os meus olhos para que eu deixe de ser tão egoísta?
Ah, já estava me esquecendo do Carlos que trabalha no CETREN, outra pessoa que realiza um trabalho bem humano, esta madrugada ele saiu as 2h para recolher pessoas e disse que vai te procurar, pois ele também é pai e entende os meus sentimentos. Gostei de ouvir isso dele, mas também penso que para ajudar você não precisa se colocar no lugar do outro, basta ser humano.
Estou com tanta vontade de te abraçar e beijar...Sinta-se beijado a abraçado.
Te amo

Osmar Cavalcante

Nenhum comentário:

Postar um comentário