domingo, 20 de junho de 2010

DÉCIMO TERCEIRO DIA SEM NOTÍCIAS SUAS


Meu filho, meu Nino.....todas as vezes que oro por notícias suas, eu não deixo de pedir para que nunca, você e nem um outro ser do planeta passe por esta dor. Você não tem idéia do quanto estou sofrendo , as horas demoram a passar, as noites me deixam apavorado, pois mais um dia está sendo concluído.
Ontem as 20h30 resolvi sair pelas ruas, peguei um bloco do panfleto que a Deborah fez e sai pelas ruas do centro, sem saber o que poderia fazer. Resolvi para em dois bares que conheço, pedi autorização para os gerentes, que me deram de pronto, e comecei a ir mesa por mesa. Em cada mesa eu mostrava a sua foto e explicava para as pessoas o motivo pelo qual eu precisava delas. Sabe, foi muito interessante, encontrei pessoas super acessíveis, todos queriam um panfleto, diziam que iriam orar, outra disseram que já haviam visto, na internet, em lans, etc. Foi unânime o espírito de solidariedade, as manifestações de carinho que recebi me confortaram muito meu coração. È em momentos como este que as pessoas se descobrem, permitem-se colocar pra fora a luz que todos nós somos capazes de emanar.
Depois de um certo tempo por ali, apareceu um morador de rua que refaz as latinhas de bebidas e depois as vende. Ele me disse que havia te visto nas ruas, comprei as dez latinhas que restavam a ele, depois ele me levou por todos os cantos da cidade, lugares aonde se concentram os moradores de rua para dormir. Procurei por você por toda parte, passei grande parte do tempo imaginando que ao dobrar uma esquina eu poderia vê-lo. A cada pessoa que ele Wilson, morador de rua, perguntava e mostrava a sua foto, uma esperança enorme de uma resposta positiva, enchia meu coração.
Infelizmente não foi dessa vez, não perdi meu tempo, pois tive a oportunidade de ver como essas pessoas vivem, as necessidades delas, e o desejo imenso que a maioria tem de ver alguém que elas amam, procurando por elas. No dia-dia as pessoas passam por elas e mal as vêem, pra muitas pessoas elas não deveriam estar ali atrapalhando seus caminhos. No entanto, elas existem sim, mas não querem atrapalhar o caminho de ninguém, a maioria delas passou por momentos difíceis em suas vidas e hoje estão nesta situação. Quero dizer que a minha busca continua, pretendo dormir nas praças, fazer refeições nos lugares onde o morador de rua faz, pois eu não tenho a mínima idéia de onde te procurar. Meu filho, amor de verdade assim, nos move, fazemos qualquer coisa para ajudar, para salvar as pessoas que amamos e isso é independente de laços sanguíneos. Você bem sabe que não me importo com a opinião alheia, faço tudo o que posso para ajudar as pessoas que amo.
Beijos e muita saudade.

Osmar Cavalcante

Um comentário:

  1. Fé e força Osmar. Estamos aqui em Rio Preto, junto com Suzana, torcendo por um final feliz. Tudo vai dar certo e o Gui vai aparecer! Shalom, Beck

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